Por que o Código Civil precisa ser revisado?
O Código Civil vigente (Lei 10.406/2002) foi elaborado ao longo de décadas e entrou em vigor substituindo o antigo Código de 1916. À época, representou uma importante modernização. Porém, em 2026, diversas realidades que ele não previa se tornaram cotidianas:
- Contratos digitais e assinaturas eletrônicas como regra, não exceção;
- Família multiparentais, homoafetivas e reconstituídas reconhecidas pela jurisprudência mas sem previsão legal expressa;
- Responsabilidade civil de plataformas digitais por danos causados por seus algoritmos;
- Proteção de dados pessoais como novo direito da personalidade;
- Herança digital e o destino de ativos virtuais após o falecimento;
- Novos modelos de negócios e suas lacunas contratuais na lei atual.
A Comissão de Juristas criada pelo Senado Federal em 2023 elaborou um anteprojeto de revisão que, até meados de 2026, está em tramitação no Congresso Nacional. As mudanças propostas são amplas e têm potencial de impactar significativamente a prática jurídica em todo o Brasil — incluindo as comarcas de Uberlândia, Araguari, Uberaba e Itumbiara.
Os principais eixos de mudança propostos
1. Responsabilidade Civil e Danos Digitais
A proposta busca modernizar o regime de responsabilidade civil, incluindo critérios para responsabilidade de plataformas digitais, danos causados por inteligência artificial e definição de parâmetros mais objetivos para fixação de danos morais, reduzindo a disparidade entre decisões judiciais.
2. Direitos da Personalidade e Dados Pessoais
O anteprojeto propõe incluir expressamente a proteção de dados pessoais como direito da personalidade, alinhando o Código Civil à LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados). Isso reforçaria a base jurídica para ações de indenização por violação de privacidade e uso indevido de dados.
3. Direito de Família: Multiparentalidade e Novos Arranjos
A revisão visa codificar formalmente arranjos familiares já reconhecidos pela jurisprudência do STF, como a multiparentalidade (filhos com mais de dois pais registrais), as famílias socioafetivas e as uniões poliafetivas, criando regras claras para sucessão, alimentos e guarda nesses contextos.
4. Sucessões: Herança Digital e Ativos Virtuais
Criptomoedas, NFTs, contas de redes sociais, domínios de internet, carteiras digitais e outros ativos virtuais não possuem tratamento expresso no Código Civil atual. A reforma propõe regras específicas para a herança digital, definindo o que transmite, o que extingue com a morte e como o inventário deve considerar esses bens.
5. Contratos: Revisão e Equilíbrio Contratual
A proposta reforça os mecanismos de revisão contratual por onerosidade excessiva, esclarece o regime dos contratos de longa duração e consolida regras para contratos digitais, incluindo a validade de assinaturas eletrônicas e o momento de formação dos contratos celebrados por plataformas online.
6. Proteção dos Vulneráveis: Idosos e Pessoas com Deficiência
Alinhada ao Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei 13.146/2015) e ao Estatuto do Idoso, a revisão busca fortalecer os mecanismos de proteção patrimonial e pessoal de pessoas em situação de vulnerabilidade, com foco na curatela compartilhada, tomada de decisão apoiada e prevenção de abuso patrimonial.
O que muda na prática para quem está em Uberlândia?
Para os cidadãos de Uberlândia e região, as mudanças mais sentidas na prática serão nos seguintes contextos:
Contratos imobiliários
Uberlândia possui um mercado imobiliário expressivo, com alto volume de compras e vendas, locações e financiamentos. A reforma do Código Civil, ao modernizar o regime contratual, pode impactar cláusulas de reajuste, condições de revisão em caso de onerosidade excessiva e os contratos de longa duração em empreendimentos na planta.
Inventários com ativos digitais
Empresários, profissionais liberais e investidores em Uberlândia e região cada vez mais possuem carteiras de criptomoedas e ativos digitais de valor significativo. Hoje, esses bens vivem em uma zona cinzenta legal nos inventários. Com a reforma, haverá regras claras sobre como arrolá-los, avaliá-los e partilhá-los.
Danos morais por exposição digital
Com parâmetros mais objetivos para fixação de danos morais em casos digitais, a tendência é que ações por calúnia, difamação e violação de privacidade em redes sociais — um volume crescente nas varas cíveis de Uberlândia — ganhem maior previsibilidade no resultado.
"A revisão do Código Civil é uma oportunidade histórica para atualizar o Direito Civil à realidade do século XXI. O advogado que acompanhar de perto esse processo estará preparado para orientar clientes de forma preventiva — antes que os problemas aconteçam."
— Dr. Túlio Zago de Brito, OAB/MG 118.642
O que ainda não está decidido: pontos controversos
Nem todas as propostas do anteprojeto estão em consenso. Os pontos mais controversos em debate incluem:
- Tabelas de danos morais: parte dos juristas defende tabelamento para reduzir disparidade entre decisões; outra parte entende que isso limita o poder do juiz de avaliar o caso concreto;
- Multiparentalidade e sucessão: como lidar com múltiplos pais para fins de herança sem prejudicar a segurança jurídica do planejamento sucessório;
- Responsabilidade de plataformas digitais: até onde vai a responsabilidade subsidiária de plataformas como Instagram, YouTube e Google por danos causados por usuários;
- Herança digital: se o acesso a e-mails, redes sociais e senhas integra o espólio ou representa violação à privacidade do falecido.
Como se preparar agora?
Mesmo sem a aprovação definitiva da reforma, é possível — e recomendável — tomar medidas preventivas:
- Revisar contratos de longa duração: verificar se as cláusulas de reajuste e revisão estão adequadas;
- Incluir ativos digitais no planejamento sucessório: listar criptomoedas, contas de exchange e demais ativos digitais e definir forma de acesso pelos herdeiros;
- Atualizar acordos de família: uniões estáveis, reconhecimento de paternidade socioafetiva e acordos de convivência podem ser formalizados agora com base na jurisprudência atual;
- Proteger dados pessoais na empresa: adequar contratos com fornecedores e clientes às disposições da LGPD já em vigor.
Perguntas Frequentes sobre a Reforma do Código Civil
Precisa adequar seus contratos ou planejamento sucessório às mudanças que estão por vir?
O Dr. Túlio Zago de Brito orienta clientes em Uberlândia, Uberaba, Araguari e Itumbiara sobre como se preparar juridicamente para as mudanças no Código Civil e na legislação digital.
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